Após cobranças, Sabesp anuncia mudanças técnicas nas obras para reduzir impactos no Vale Verde

Após cobranças, Sabesp anuncia mudanças técnicas nas obras para reduzir impactos no Vale Verde

Autor: Rodrigo Palassi/ CMC

Por Denise Crescêncio

A Comissão Especial de Vereadores (CEV) que tem como objetivo acompanhar as obras da Sabesp no bairro Vale Verde realizou, ontem (07/05), um novo encontro. A reunião foi conduzida pelo vereador Batoré (Agir), presidente da CEV, e contou com a presença de Marcinho (PSB), relator, Guilherme do Salão (PSB), membro, e do parlamentar Ivan Hildebrando (PSDB). Também compuseram a mesa representantes da Sabesp e da empresa Verdebianco e membros da associação de moradores do bairro. Na ocasião, a Sabesp informou que houve mudanças técnicas no projeto para reduzir impactos estruturais no Vale Verde.

No início da reunião, Batoré reforçou a necessidade da transparência e do diálogo com a comunidade para mitigar os transtornos enfrentados pelos moradores durante a execução das obras. Já Marcinho frisou que a comissão busca solucionar, de forma célere, os problemas relatados, que vão desde rachaduras em imóveis até faturas com valores abusivos.

Rogério José Osti, engenheiro da Sabesp, explicou que o projeto inicial está sendo alterado para reduzir vibrações e danos às residências. De acordo com ele, além de o método tradicional de estaqueamento ter sido substituído pelo sistema de tubo cravado, cerca de 90% das redes terão profundidade inferior a 2,5 metros e a estação elevatória, utilizada para transportar água ou esgoto, está sendo realocada para a praça central do bairro, medidas que pretendem otimizar o escoamento por gravidade e a drenagem no local.

Em seguida, Roberto Cinesi, gerente de contratos da VerdeBianco, informou que as obras são realizadas com base em cruzamento de plantas antigas e atuais da Sabesp e que, durante as escavações, rompimentos pontuais em redes antigas de água e esgoto podem ocorrer – mas, quando ocorrem, há reparo imediato. Disse também que não havia, até o momento, reclamações formais sobre rachaduras em imóveis e reforçou a importância dos registros fotográficos das fachadas, laterais e muros das residências, uma vistoria cautelar que funciona como instrumento de defesa técnica tanto para moradores quanto para a contratada, permitindo comparar o antes e depois das intervenções.

Na sequência, Silvano Moreira Sales e Shelton Marcelo Pivato, membros da Associação dos Moradores do Bairro Vale Verde, relataram na reunião problemas como cobranças abusivas e duplicidades, falta de leitura dos hidrômetros, falta de comunicação entre as empresas e taxas de esgoto cobradas antes mesmo da conclusão do serviço. Segundo Silvano, aproximadamente 100 moradores receberam cobranças indevidas em dezembro de 2025. Outro tema debatido foi a segurança e compatibilidade entre o novo sistema de esgoto e a drenagem pluvial existente. Diante disso, Roberto garantiu que o projeto prevê mecanismos para evitar conflitos entre as redes.

Em resposta, Rogério informou que aproximadamente 300 imóveis do bairro aguardam a ligação do sistema de esgoto. Segundo o engenheiro, parte dos atrasos é devido a problemas documentais e cerca de 55 munícipes teriam recusado a adesão ao serviço, o que o fez pedir apoio à associação de moradores para ampliar o diálogo com a comunidade. Em relação às cobranças e ao faturamento, Rogério se prontificou a levar as demandas apresentadas ao setor administrativo da companhia.

Ainda na reunião, Guilherme do Salão destacou a importância do Marco Legal do Saneamento (Lei Federal Nº 14.026) e da responsabilidade do município em promover melhorias no setor, enquanto Ivan Hildebrando relembrou críticas históricas à atuação da Sabesp em Cubatão mencionando ações judiciais movidas, pelo seu mandato, contra o Projeto Água Limpa, defendendo maior rigor na fiscalização da qualidade da água e medições de hidrômetros.

Por fim, a comissão agendou uma vistoria técnica no bairro Vale Verde, no dia 21 de maio, para apurar denúncias sobre afundamento de vias e calçadas, conforme relatos de moradores. Além dos membros da comissão, serão oficiadas para participarem da inspeção as secretarias de Meio Ambiente e a de Obras.