Audiência Pública da Ecovias é marcada por reclamações sobre drenagem, mobilidade urbana e falta de contrapartidas à Saúde
Por Nicole Vasques
Pactuação de um custeio hospitalar, soluções para a drenagem, iluminação nas passarelas e acessos seguros na cidade de Cubatão foram algumas das demandas apresentadas à Ecovias, ontem (11/02), durante a Audiência Pública sobre os transtornos causados pela concessionária aos munícipes. Durante o evento, conduzido pelo vereador Marcinho (PSB), a população apresentou reclamações sobre diversos tópicos, incluindo o escoamento de águas das rodovias para dentro de bairros quando chove, problemas de mobilidade urbana causados pelo intenso fluxo de caminhões na Via Anchieta e a iminência da construção da Terceira Pista da Rodovia dos Imigrantes.
O encontro fez parte dos trabalhos da Comissão Especial de Inquérito sobre o tema, presidida por Marcinho e instituída pela Resolução Nº 3.089, de 23 de setembro de 2025. Além do vereador, compuseram a mesa o deputado estadual Caio França (PSB); o assessor Flávio Santana, representando o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSDB); o secretário de Indústria, Porto, Emprego e Empreendedorismo, Fabrício Lopes, representando o prefeito César Nascimento; Maurício Dantônio, gerente de Engenharia da Ecovias; Caio Cesar Vicentini de Barros, da área de Relações Institucionais e Governamentais, e Marcelo Belão, gerente de Operações da empresa. Ainda estiveram presentes o presidente da Câmara, o vereador Topete (PSD), e os parlamentares Afonsinho (PSD), Jair do Bar (PSDB), Guilherme do Salão (PSB), Ronaldo da Comissão (PSD), Xuxa (PSDB), Rony Martins (PSD), Edson Mota (União Brasil), Tinho (PSD) e Batoré (Agir).
O vereador Marcinho iniciou os trabalhos apresentando informações que, segundo ele, foram fornecidas por associações de bairros e órgãos oficiais durante as reuniões da comissão. Alguns problemas citados, e reiterados pela população em plenário, são o grande fluxo de caminhões no polo industrial; a ausência de recursos enviado à Saúde do município, que acolhe acidentados de outras cidades nas rodovias sob concessão e, além disso, a baixa iluminação das passarelas e ausência de muretas de proteção, o que contribui para assaltos e acidentes.
“Precisamos atender, precisamos salvar essas vidas, mas nós precisamos entender que a Ecovias tem um papel importante. Ela não coloca uma cadeira de rodas no hospital, não coloca uma maca. O mínimo que nós estamos pedindo é que ela pudesse bancar, pelo menos, um andar de um hospital, 10 leitos de UTI, 20 de enfermaria, um centro cirúrgico. De repente, um equipamento de ressonância magnética”, disse o representante do PSB, reforçando a existência de uma sobrecarga no sistema de Saúde cubatense.
Representando o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa, o assessor Flávio Santana afirmou que Cubatão não deve ser preterida em relação a qualquer outra cidade da região. “A importância de Cubatão é fundamental e vital para o nosso desenvolvimento aqui na Baixada Santista”, afirmou ele. “Nós estamos aqui para verificar o que a Ecovias pode fazer mais e melhor para a cidade”, completou o assessor ao sugerir uma reunião com a diretoria da Ecovias.
Em seguida, o deputado Caio França chamou a atenção para a necessidade de agilidade nas respostas e na execução de melhorias antes do início da construção da Terceira Pista da Imigrantes. “Todo mundo faz parte dessa discussão, e Cubatão é, mais uma vez, a cidade central que será diretamente atingida. Que dessa vez a gente possa, de forma antecipada, já fazer as obras, e não começar a fazer a Terceira Pista sem antes resolver aquilo que ficou para trás”, afirmou o deputado . Ainda de acordo com França, a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) é corresponsável pelos impactos, já que regula as concessões do Estado, mas se trata de um órgão “inacessível” para dialogar.
Maurício Dantônio, gerente de Engenharia da Ecovias, explicou que existe uma programação de serviços visando à conservação das rodovias sob concessão da Ecovias. Apesar disso, diante do descontentamento dos munícipes, afirmou que a empresa está disposta a dialogar e segue recebendo solicitações quando há demandas que extrapolam o que é previsto em contrato. Ele afirmou que há possibilidade de construir formas para, junto com o Governo do Estado, pleitear a realização de outras obras.
Em resposta ao que foi apresentado sobre a drenagem, Maurício afirmou que a sedimentação no fundo dos canais causa a perda da capacidade hidráulica, mas que a Ecovias não é a única responsável. “Essa limpeza é realizada para remover o material do fundo, tentar ampliar essa possibilidade dos canais, mas tem que ser feita no canal de forma completa, não somente na parte que é de responsabilidade da Ecovias. Por isso que todos temos que agir de forma conjunta”, ressaltou.
Na sequência, Caio Cesar Vicentini de Barros, representante de Relações Institucionais e Governamentais da Ecovias, afirmou que, desde a inauguração da Rodovia Anchieta, nos anos 1940, houve um significativo aumento do fluxo de veículos pesados e crescimento do Porto de Santos. Ele explicou que não compete à concessionária criar políticas públicas de mobilidade, mas sim de executar as demandas realizadas pelo Governo do Estado via contrato. “Muitas vezes, a dificuldade que vocês têm de sair e entrar dos bairros é algo que a capacidade atual da pista não vai dar para vocês. Por isso, o Governo do Estado nos demandou um projeto para que a gente fizesse uma nova ligação do Planalto para a Baixada, que todo mundo chama de Terceira Pista”, disse.
Caio também citou melhorias em curso para solucionar algumas das problemáticas levantadas na audiência, como o início de obras emergenciais da Ponte do Jardim Casqueiro, que deve ser aberta para veículos leves em dezembro deste ano, e uma ampliação do sistema cicloviário na Baixada Santista, ainda sem prazo.
Por fim, o secretário Fabrício Lopes sugeriu que a Ecovias direcione o olhar para as comunidades limítrofes promovendo ações em conjunto com os Poderes Executivo e Legislativo. “Eu vejo o advento da Terceira Via como várias oportunidades para a gente resetar e começar uma nova relação com a cidade de Cubatão”, afirmou ele.
Além de Fabrício, estiveram presentes na audiência pública o secretário municipal de Saúde, Márcio Amorim, e o secretário municipal de Governo, o vereador licenciado Guilherme Amaral (PSD), bem como os ex-vereadores de Cubatão Rodrigo Alemão e Sérgio Calçados. De acordo com Marcinho, haverá uma nova reunião da Comissão Especial de Inquérito no dia 19 de fevereiro.