Em reunião de CEI, moradores cobram a Rumo e a Prefeitura sobre impactos das obras no 31 de Março

Em reunião de CEI, moradores cobram a Rumo e a Prefeitura sobre impactos das obras no 31 de Março

Autor: Alice Marcela/CMC

Por Nicole Vasques

A Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura os impactos das obras executadas pela Rumo Logística no bairro 31 de Março se reuniu com representantes da empresa, secretarias municipais e moradores locais na última quinta (14/05), na Câmara. Durante o encontro, os munícipes reiteraram os transtornos para atravessar de um lado para o outro da linha férrea devido à construção das passarelas, além da falta de iluminação nas estruturas e os possíveis prejuízos à comunidade diante do fechamento da passagem em nível da Rua Paraíba.

Estiveram presentes no encontro os parlamentares Tinho (PSD), relator, e Anderson De Lana (PSDB), membro da comissão, além do secretário municipal de Manutenção Urbana e Serviços Públicos, Elmo Ferreira, e do secretário-adjunto de Obras, Lindomar Nascimento. Anteriormente, foram instauradas outras comissões sobre o mesmo tema, mas, na maioria dos encontros, a Rumo não compareceu, o que comprometeu os trabalhos do grupo.

Ao iniciar as discussões, Tinho explicou que a CEI é favorável ao desenvolvimento da cidade, mas que as obras da Rumo vêm afetando os moradores do 31 de Março – majoritariamente idosos e pessoas acamadas. Segundo o parlamentar, o município já vem adotando contrapartidas, mas o apoio da Rumo é imprescindível para mitigar os transtornos à população. “A nossa parte iremos fazer, que é a questão da mobilidade, criar uma nova linha de transporte coletivo para passar em torno ou dentro do bairro. Também, a questão da UBS, um médico da família ter o acesso a essas pessoas que estão do outro lado [da linha férrea], em especial aquelas acamadas”, disse ele.

Em seguida, o morador Zilian Noronha Assunção lamentou os impactos causados pelas obras, afirmando que a sociedade não teve a oportunidade de participar da elaboração do projeto. De acordo com o munícipe, a estrutura das rampas construídas devido ao fechamento das passagens de nível dificulta a locomoção para serviços básicos, tornando o bairro isolado e, os imóveis, desvalorizados. Ainda segundo ele, a população sente ter sido prejudicada, e, como forma de frear os transtornos, opõe-se ao fechamento de mais uma passagem, desta vez na Rua Paraíba.

Outros impactos citados incluem problemas estruturais, como rachaduras e danos em residências vizinhas às áreas de intervenção, a falta de iluminação na passarela inaugurada há um mês e providências quanto aos grãos que caem dos trens diretamente na via, causando mau cheiro e atraindo animais. Os moradores desejam que, como contrapartida, a empresa e a Prefeitura preservem os campos de futebol amador 31 de Março e Vera Cruz, além de sugerirem alternativas para o não fechamento da Rua Paraíba.

Em resposta às manifestações, Frederico Daguer Abdalla, responsável pelas Relações Governamentais da Rumo Logística, explicou que as passarelas e viadutos construídos pela companhia seguem a padronização da ABNT, imposta pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Ele afirmou que o fechamento da passagem em nível é uma estratégia para aumentar a segurança dos munícipes, pois reduz acidentes, além de otimizar a logística do transporte de carga. Ainda, defendeu que a empresa tem a obrigatoriedade de seguir normas federais.

“Nós discutimos e apresentamos todos os projetos e demandas para discussão com o Prefeito”, explicou Frederico. “O que a gente precisa compreender é que a companhia de iniciativa privada tem um limite. Qual é esse limite? O serviço que deve ser executado pela iniciativa privada. Eu não posso entrar em educação, segurança pública, manutenção”, completou.

O representante da Rumo afirmou que a interlocução entre a empresa e os munícipes se dará por meio do Executivo Municipal e esclareceu que eventuais demandas devem ser formalmente encaminhadas pela Prefeitura. Já o secretário-adjunto de Obras, Lindomar Nascimento, reiterou que as reclamações devem ser documentadas para que os responsáveis possam providenciar melhorias à população.

Por fim, o vereador Anderson De Lana explicou que haverá a elaboração de um relatório final com todas as demandas apresentadas. Representando o vereador e presidente da Câmara, Topete, que também preside a CEI, a assessora Giovanna Bandini destacou que o documento poderá incluir sugestões de providências, encaminhamentos aos órgãos competentes e demais medidas consideradas pertinentes para a solução ou mitigação dos problemas identificados.