Em sessão solene, mulheres protestam pelo direito de permanecerem vivas

Em sessão solene, mulheres protestam pelo direito de permanecerem vivas

Autor: Assessoria/ CMC

Por Denise Crescêncio

Sob fortes discursos de enfretamento à violência contra a mulher, a Câmara realizou ontem (12/03) a Sessão Solene Comemorativa ao Dia Internacional da Mulher. Durante a solenidade, as homenageadas lamentaram os dados alarmantes de feminicídios em 2025, ano em que foram registrados 1.568 casos, e protestaram pelo direito de permanecerem vivas. A cerimônia teve como oradora oficial a vice-prefeita e secretária municipal de Habitação de Cubatão, Andrea Maria de Castro e, na ocasião, foi prestado um minuto de silêncio às vítimas de feminicídio.

Além da vice-prefeita, compuseram a mesa de autoridades a secretária da Mulher e Direitos Humanos, Maria Jaqueline Barbosa, a presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina, Cristina de Oliveira, a vereadora do Guarujá Andréia Feijó e o presidente da Câmara, o vereador Topete (PSD). Outras mulheres foram prestigiadas pelas bancadas com representação na Câmara. São elas: Ana Luisa Rodrigues, Patricia Moreira Couto Lugli, Rosana Aparecida da Silva Santos, Neusa Silva dos Santos e Maria Doralice de Souza.

Durante o discurso, Andrea afirmou que não podemos mais aceitar casos de feminicídio e citou que a maioria das 1.568 vítimas, em 2025, cerca de 60%, foi de mulheres negras. “Os números são estarrecedores, comprovando que precisamos muitos mais que aumento de punição. Infelizmente, a questão ainda é estrutural e machista”, lamentou ela.

Ainda na tribuna, a vice-prefeita abordou algumas conquistas femininas ao longo dos anos, mas chamou a atenção para os desafios que perduram na sociedade, como a diferença salarial entre homens e mulheres, a falta de representatividade feminina no Legislativo e, sobretudo, nos espaços de poder e decisão. Andrea também citou algumas iniciativas do município, como o Serviço Regional de Acolhimento para mulheres em situação de violência e a Secretaria da Mulher e Direitos Humanos, criada em fevereiro de 2025.

Em seguida, a secretária da Mulher e Direitos Humanos, Maria Jaqueline Barbosa *,* citou que a solenidade representou um momento de escuta diante das falas das homenageadas. Reiterou que houve avanços para as mulheres, como o direito ao voto e a ocupação de espaços, mas que o direito à vida ainda é a prioridade. “A principal reivindicação das mulheres ainda é o direito de permanecerem vivas”, reforçou a secretária.

Cristina Oliveira, do Conselho Municipal da Mulher, repudiou o recente vídeo viral, que circula no TikTok, em que jovens simulam socos e golpes com faca como reação a casos de recusas femininas a pedidos de namoro e/ou casamento. “É lamentável. Nós não vamos nos calar, somos imparáveis”, pontuou ela. Também foi abordada a urgência de se pensar políticas públicas que contemplem mulheres cisgênero e trans.

Em casos de violência contra a mulher, denuncie! Acione a Central de Atendimento à Mulher, disque 180.